4.4.16

A TAÇA É NOSSA!



O último título ganho pelo andebol do Benfica tinha sido há quatro anos atrás (uma supertaça) e a última Taça de Portugal já datava de 2011. 4 anos é muito tempo para um clube como o Benfica estar sem ganhar nada. 

Muitas vezes ouvi vários adeptos (curiosamente os mesmos que raramente levantam o rabo do sofá para ir até aos pavilhões apoiar as equipas) dizerem que o Benfica devia acabar com o andebol, porque ao contrário das outras modalidades não ganhava nada. Mas nós somos o Benfica e ainda bem, porque se fôssemos como outros, o mais provável era a direcção ter acedido aos pedidos dos adeptos e ter acabado com esta secção. Mas isso não aconteceu, porque no Benfica não se desiste de nada, no Benfica luta-se. Se algo não está bem, não vamos pelo caminho mais fácil, vamos pelo caminho difícil que é o de tentar corrigir o que está mal e evoluir. Foi isso que o Benfica fez. Mandou embora quem estava a mais e apostou (e muito bem) na prata da casa. 



Há muito tempo que eu dizia que, na minha opinião, era este o caminho a seguir. Que o melhor que podíamos fazer era apostar nos nossos jovens, que ganhavam títulos na formação. Ainda bem que assim o fizeram porque, como agora se vê, começa a dar frutos. Podemos não ter uma equipa teoricamente tão forte como os outros, mas temos uma equipa que vive realmente o Benfica, que joga com amor à camisola e que quis (e quer) muito mudar a realidade do que tem sido o andebol do Benfica nos últimos anos. A prova de tudo isto é a forma como a equipa tem festejado com os adeptos as recentes vitórias. Só demonstra que, mais do que ninguém, eles queriam e mereciam isto. 

Por falar em merecer, depois de tudo o que já passou esta época, ninguém merecia mais que o Elledy Semedo marcar aquele golo da vitória ontem. 

A conquista de ontem foi ótima, foi um virar de página, mas existem agora novos desafios da frente, como o 3º jogo da meia-final do Play-Off no Dragão Caixa e a Taça Challenge, por isso a equipa continua a precisar do apoio de todos! 


21.1.14

ACERCA DA MUDANÇA DE LOCAL DE JOGO

Percebo que tenha de ser feito trabalho no relvado da Luz, devido ao facto de ser novo e ter logo apanhado com muita chuva, granizo, etc. Percebo isso tudo perfeitamente. Mas o timming é péssimo! No sábado há hóquei na Luz às 19h, contra o Porto. Ora, havendo jogo de futebol antes, era a ocasião ideal para as pessoas saírem do futebol para o hóquei, termos casa cheia e fazermos o ambiente infernal de que tanto precisamos (até porque é fundamental vencermos os próximos 3 jogos, para nos mantermos na luta pelo título). Com o jogo de futebol a ser no Restelo (e conhecendo bem a falta de mentalidade dos Benfiquistas), o que vai acontecer é que muitas das pessoas saem da bola e não vão ao hóquei, porque para muita gente isso é coisas que dá um trabalho enooorme. Ter que ir à luz só para ver modalidades? Pff, nem pensar! E é pena que exista esta mentalidade no Benfica, é pena que as pessoas só se interessem pelas modalidades quando ganham, embora esses mesmos sejam os primeiros a criticar quando se perde, mesmo sem lá meterem os pés. Com esta mudança provavelmente não iremos ter tanta gente como teríamos se o futebol fosse na luz, mas também sei que ainda há muita gente para quem estes jogos são importantes, e esses sim, vão lá estar de qualquer forma. Espero que, apesar desta mudança, ainda se consiga ter uma boa casa e, mais importante que isso, um grande apoio, porque a nossa equipa bem precisa neste momento. Portanto, o meu apelo é este: venham em massa ao pavilhão. Pelo menos, por uma vez, deixem a preguiça de lado e vão até à luz só para ver uma modalidade. Só com um verdadeiro inferno naquele pavilhão é que conseguiremos vencer!

6.1.14

DEUSébio: De todos, um.


Desde ontem que estou a tentar escrever algo sobre o Rei, mas não tinha condições para tal. Para se escrever um texto sobre Eusébio, é preciso que ele seja condizente com a sua grandeza, e realmente não sei se algum conjunto de palavras conseguirá algum dia descrever o que Eusébio foi. Infelizmente, nunca o vi jogar. Tenho 23 anos e, quando nasci, já Eusébio era o Rei há muitos anos, já era o melhor de sempre, neste pequeno País. Mas habituei-me, ao longo dos anos, a ver os vídeos das suas façanhas, de lágrimas de orgulho nos olhos, e a sonhar um dia poder ver um Benfica assim, ou a desejar ter nascido naquela época, para viver tudo aquilo. Habituei-me também a ouvir as pessoas mais velhas (nomeadamente o meu avô) a contarem histórias dos jogos, e senti sempre inveja. Nasci numa época em que o Benfica já começava a afastar-se muito do que era no seu tempo, e em que começou a tornar-se irreconhecível. Mas foi graças ao Eusébio (e a muitos outros) que comecei a amar este clube. Eu não escolhi o Benfica, o Benfica é que me escolheu a mim, e tal como sou do Benfica desde que nasci, sou também do Eusébio, seu símbolo máximo.

Se é verdade que nada nem ninguém está acima de um clube, não é menos verdade que um clube é feito das suas lendas, é feito daqueles que o tornaram grande. Se não fossem as grandes glórias, um clube nunca seria nada. E neste ponto, o nome Eusébio está intimamente ligado ao nome Benfica. Foi muito graças a ele (e também outros como Coluna, José Augusto, Águas, Rogério Pipi, etc) que o Benfica hoje tem o nome de Glorioso, foi graças a ele que nos tornámos um clube respeitado em todo o Mundo, um clube que metia medo aos grandes colossos Europeus e que, mais tarde, ele próprio se tornou um colosso Europeu. Mas não foi apenas o nome do Benfica que elevou pelo Mundo fora, foi também o de Portugal. Por muito que o consideremos nosso (dos Benfiquistas), Eusébio é na realidade de todos, não só de Portugal, mas do Mundo. É por isso que, quando vamos a qualquer País e dizemos que somos Portugueses, nos respondem logo com: "EUSÉBIO. BENFICA!". Era um símbolo do Mundo do futebol, e não é qualquer um que recebe uma ovação em Old Trafford, ou um minuto de silêncio com imagens suas em ecrã gigante, no Santiago Bernabéu. Isto só está reservado para aqueles realmente especiais, que se tornam símbolos e ídolos de gerações.

Nunca conheci Eusébio, nunca troquei com ele palavras. Passou por mim várias vezes mas sempre achei que eu, comum mortal, não tinha direito de me dirigir e falar com Deus. Mas hoje, quando a sua urna foi ao centro do relvado e pelos altifalantes ecoou o Hino do Benfica, chorei a sua morte como se de um familiar se tratasse. Porque na verdade, o Benfica é e sempre será uma família, e quando parte um de nós (principalmente o mais importante) todos nós sentimos essa dor, todos nós choramos, sejamos homens, mulheres, adultos, crianças. Hoje vivi um dos momentos mais emocionantes como Benfiquistas, um que nunca irei esquecer em toda a minha vida. Chorei porque senti que morreu uma parte do Benfica, e que daqui para a frente nada será como dantes. No meio disto tudo, tenho pena que o Rei tenha partido numa altura em que o Benfica perdeu parte da sua identidade, em que já não somos respeitados (só voltámos a ser respeitados hoje, mais uma vez graças a ele) e temidos como nos seus tempos, em que se perdeu grande parte da mística e o futebol no mundo inteiro se tornou um negócio, deixando de parte a paixão, paixão essa com que o Pantera Negra jogava sempre. Porém, espero que este momento de dor sirva para unir de novo a nação Benfiquista, para trazer a mística de volta, fazer os jogadores perceberem o que é este clube, e voltarmos a ser o Benfica que éramos na década de 60. Que melhor homenagem à sua memória, do que voltarmos a ser o Benfica que ele tornou glorioso? Cumprir os seus sonhos, desejos, ambições. Eusébio disse em tempos que foi o jogador mais feliz do Mundo, e que fizemos dele uma pessoa importante. Eu digo antes: King, tu é que fizeste de nós as pessoas mais felizes do Mundo, e orgulhosas em sermos do Benfica. Tu é que fizeste de nós o que somos hoje, maiores que Portugal. E por isso e muito mais, OBRIGADO.

Descansa em Paz e olha pelo Maior do 4º anel. Sei que estarás ao nosso lado em cada finta, em cada golo, porque as Lendas nunca morrem!

17.5.13

Amesterdão: o renascer.

23 anos, tantos quanto os que celebro este ano, foi o tempo que esperei para poder estar presente numa final Europeia. Muitas vezes ouvi falar dessas míticas noites, sem que nunca pudesse sentir o que era praticamente tocar o Céu, como tantos outros Benfiquistas já tinham tido a oportunidade de sentir. Durante toda uma vida imaginei como seria, imaginei o que sentiria se alguma vez pudesse presenciar tal coisa, mas tudo o que imaginei não chega sequer perto do que foi na realidade. Aliás, como dizem, a realidade é sempre melhor que a fantasia em si, que o sonho.

E foi com sonhos no coração que parti para a Holanda. A viagem foi dura, parti na terça feira e, depois de dois aviões (num dos quais orgulhosamente entoámos o Hino do Benfica) e uma longa viagem de carro, chegámos a Amesterdão. Vivia-se na cidade um ambiente fantástico, com adeptos de ambas as equipas a entoar cânticos, cada um a puxar para o seu lado. Quanto mais se aproximava a hora do jogo, mais a ansiedade ia crescendo, e também a emoção, por poder realizar um sonho: ver o Benfica numa final Europeia. Chegou a hora de entrar para o Estádio, e apesar de toda a desorganização à entrada, consegui chegar a uma boa hora de ainda absorver todo o ambiente, e ficar um pouco sentada a pensar em tudo o que isto significava. E quando as equipas entraram no estádio, não pude deixar de ficar emocionada, a pensar em todos os meus anos de Benfiquismo. Foram anos duros, os que passei como Benfiquista, tendo nascido em 90. Nunca vi o Benfica ganhar muito, mas a realidade é que tive bons "professores" a transmitirem a mística, e por isso hoje sinto mais o Benfica do que qualquer coisa na minha vida, e faço deste clube a minha vida. E por isso, quando as equipas começaram a entrar em campo, comecei a pensar no meu avô, um dos principais "impulsionadores" do meu Benfiquismo, uma das pessoas com as quais aprendi mais sobre este clube, não pude deixar de sentir saudades dele e desejar que ele pudesse estar ali comigo, a partilhar aquele momento. Pensei naquela altura no quanto tudo o que ele me ensinou e todos os valores que me transmitiu foram importantes para eu chegar ali, àquele momento. Sem ele, não seria possível viver um dos melhores momentos da minha vida. 

Durante o jogo, cantei o mais alto que pude pelo Benfica, apoiei ao máximo, deixei toda a minha alma naquela bancada, deixei tudo ali por um ideal que me completa e sempre me completou. Como disse, foi uma das melhores experiências da minha vida, vi o Benfica fazer um dos melhores jogos de que me posso lembrar, os jogadores foram Benfica, deram tudo em campo e foram melhores que os outros, bem melhores. Deram um banho de bola ao Campeão Europeu em título, e por isso, todos temos de nos sentir orgulhosos. Nas bancadas, orgulhámos também o Benfica, e tudo o que vi naquele dia em termos de apoio, é algo que nunca esquecerei, que vai ficar na memória para sempre. Mas custou, aquele golo no fim do jogo foi pior do que se me tivessem dado uma facada no coração. Quando o árbitro apitou para o final do jogo, chorei. Chorei muito, sentada naquela bancada, chorei pelo Benfica, chorei por toda a minha família que estava em casa a sofrer como eu, e chorei pela falta de sorte. Não dá para colocar em palavras tudo o que senti naquele momento, foi um misto de sensações: tristeza, injustiça, orgulho, tudo. Por momentos tive vergonha que me vissem chorar daquela maneira, mas depois olhei à minha volta, e vi tanta gente como eu, tanta gente com o mesmo sentimento, que isso reconfortou-me e não pude deixar de me sentir grata por fazer parte desta família. Lembro-me de um rapaz que não conhecia passar por mim, ver-me naquele estado, e colocar-me a mão no ombro dizendo que tudo ia ficar bem. Isto é o Benfica, e é por isto que amo este clube. 

Este ano tem sido um ano difícil para mim, perdi a minha bisavó (que foi a pessoa que me criou, e uma das maiores influências na minha vida) e passadas 3 semanas, perdi também a minha cadela (que apesar de ser "apenas" um animal, era a minha melhor amiga), e durante esse tempo perdi-me a mim própria e, pior que isso, perdi a esperança em tudo. Precisava de uma alegria do Benfica, para pelo menos alguma parte da minha vida voltar a fazer sentido. Isso não aconteceu, mas a realidade é que o que o Benfica me deu na quarta-feira, mesmo tendo saído derrotado, foi muito mais que isso. Perdi o jogo, mas ganhei muito mais. O Benfica naquele dia fez-me voltar a acreditar, devolveu-me a esperança que eu já tinha perdido no Mundo. Porque, apesar da derrota, aquilo que aqueles heróis fizeram em campo, e o quanto nos encheram de orgulho, mostrou-me que mesmo que a vida por vezes seja injusta e nos tente mandar abaixo todos os dias, há coisas pelas quais devemos lutar sempre. E mesmo que a sorte hoje não exista, sei que um dia vai mudar, o nosso dia vai chegar e vamos ter tudo aquilo que desejamos e merecemos. Por outro lado, aquilo a que assisti naquele dia na bancada, mostrou-me que afinal não estou, nem nunca poderei estar sozinha. Tenho a minha família Benfiquista ao meu lado, a festejar alegrias, ou a sofrer comigo também, e quando assim é, nunca estamos sozinhos, por muito difíceis que as coisas sejam. Mais uma vez, o Benfica "acordou-me", salvou-me. Saí de Amesterdão uma pessoa nova, e o meu clube é o responsável por isso. É por essa razão que quando me perguntam porque sou tão fanática e perco tanto tempo e dinheiro com o Benfica, eu não sei explicar. É algo irracional, mas só quem realmente vive por isto é que entende. Hoje sei que sou 1 milhão de vezes mais Benfiquista do que era antes de partir nesta viagem. É um orgulho pertencer a este clube, e mesmo que me dessem a escolher ser de outro, eu continuaria a ser do Benfica, porque ser do Benfica é diferente. O Benfica é muito mais que um clube, e é por isso que é tão diferente dos outros e move tanta paixão. Acho que dificilmente adeptos dos outros clubes podem sentir aquilo que sentimos na quarta, que é sair de um jogo em que perdemos, com o orgulho redobrado no nosso clube, com esperança e com a certeza de que somos do Maior Clube do Mundo.

Hoje sei o que é ir a uma final Europeia, sei a sensação, sei o que é tocar o Céu e voltar a ganhar esperança em apenas 90 minutos. E, por isso, estou eternamente grata. Disse lá em cima e repito: Perdi um jogo, mas ganhei muita coisa. 


"De todos, um só."